A economia brasileira na década de 80: consequências da crise da dívida externa, inflação e crise do estado

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A Economia Brasileira na Década de 80: consequências da crise da dívida externa, inflação e crise do Estado
ANTÓNIO JORGE FERNANDES, CASSIANO PAIS
Universidade de Aveiro, Departamento de Economia; Gestão e Engenharia Industrial – 3810-
193, Aveiro-Portugal
INETI- Instituto Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial, DMS- Departamento de Modelação e Simulação, 1649-038 Lisboa-Portugal
Resumo
A interrupção na década de oitenta, de uma longa história de crescimento que caracterizava o Brasil, é resultado de um amplo conjunto de causas entre as quais, o peso insustentável dadívida externa, o imobilismo gerado por uma excessiva protecção à indústria nacional, o fracasso dos programas de estabilização no combate à inflação e o
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No caso do Brasil, o maior e mais rico país da América Latina, não foi diferente. Os economistas brasileiros dividem-se quanto ao grau de importância a conceder às principais causas da crise, mas são praticamente unânimes quanto a elas: A dívida taxas de inflação, excesso de intervenção estatal na economia e uma crise fiscal profunda do Estado que lhe retirou toda a capacidade de poupança e praticamente o imobilizou.
De qualquer forma não há como negar que a grave crise que se abate sobre as economias latino-americanas, inclusive a brasileira, está intimamente relacionada com o grande processo de endividamento externo. Durante os anos setenta, a abundância d e recursos em poder dos bancos internacionais viabilizou o crescente endividamento dos países da América Latina, que ultrapassou em 1982 os US$ 300 bilhões. No entanto, desde 1979, os bancos credores mostravam já sinais de preocupação e impaciência, ao pressionarem os devedores com a recusa da concessão de novos empréstimos, deixando-lhes clara a necessidade de se ajustarem, adoptando políticas económicas ortodoxas com o objectivo de aumentar as exportações, reduzir as importações e combater a inflação já então em níveis bastante acentuados.
As políticas económicas ortodoxas, em função dos desequilíbrios mais comuns destas economias, como a inflação e o desequilíbrio externo, estavam geralmente contidas nas recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI) e consistiam

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