A estrutura do diálogo como ponto de partida da ética

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A estrutura do diálogo como ponto de partida da ética

A grande referência, para os gregos, em relação a um ideal de formação é compreendida pelo termo paidéia. A acepção de paidéia é imprescindível para qualquer reflexão sobre a educação grega. Vocábulo especificamente cunhado na Grécia clássica, paidéia remete-se para uma dada acepção de homem, que conjuga, sob uma única referência, a idéia de criação humana, sua formação, o desenvolvimento de patamares de excelência, fosse esta física, intelectual ou moral, bem como - a princípio - o lugar do indivíduo na cidade, no que toca à partilha de tradições e de valores, de educação, de preferência e de gosto, de ideal estético e de referências culturais. Enfim: símbolos, ritos e mitos; tudo
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No caso, a escolha foi sua. Em nome dos ancestrais. Havia razões maiores do que as razões de Estado: uma justiça que estaria para além dos éditos da polis, uma ética que não se confunde com o motivo da política. Diz – sobre o tema – a heroína Antígona:

“... eu não acreditava que os éditos humanos tivessem força suficiente para conferirem a um mortal a faculdade de violar as leis divinas, que nunca foram escritas mas são imutáveis. Não é de hoje nem de ontem que elas vivem: são eternas e ninguém sabe determinar o tempo que foram promulgadas. Em face destas leis - que não cedem, timoratas, à vontade humana - não sou realmente culpada de coisa nenhuma. Criatura efêmera, eu bem sabia que, antes ou depois, com teu édito ou sem ele, haveria de morrer. Se tal vier a acontecer antes do tempo, será de minha total e exclusiva vantagem. Quem, como eu, está condenado a viver para sempre na voragem de males sem conta, considera a morte um grande alívio. Por isso, pouco importa o destino que me reservas. Se, ao contrário, eu tivesse deixado o filho de minha própria mãe morto e sem sepultura, ah!, isso sim, é que me faria sofrer terrivelmente! Posso parecer-te louca, mas tem cuidado, não seja ainda mais insano aquele que assim me considera.” (Sófocles, 1984, p.35-6)

A ‘Oração Fúnebre de Péricles’ como epíteto do ideal democrático grego
Pode-se dizer que o cenário que dá lugar à organização da polis é um elemento chave para compreensão do pensamento grego. O

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