A personagem do romance

1585 palavras 7 páginas
“A PERSONAGEM DO ROMANCE”
Antônio Cândido
Flavio Teixeira Barbosa

O objetivo deste artigo é extrair o conceito de verossimilhança do trabalho de Antônio Cândido: “A Personagem do “Romance”.

Primeiramente, podemos definir verossimilhança como:

“Verossimilhança, em linguagem corrente, é o atributo daquilo que parece intuitivamente verdadeiro, isto é, o que é atribuído a uma realidade portadora de uma aparência ou de uma probabilidade de verdade, na relação ambígua que se estabelece entre imagem e idéia.

Em literatura, o termo designa a idéia de que aquilo que é narrado se assemelha à realidade. No teatro, tem a ver com a clássica Regra das Três Unidades (séc. XVII). Verossimilhança no geral é aquilo
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Quando se lê um romance, fica a impressão de uma série de fatos organizados em enredo e de personagens que vivem estes fatos. Enredo e personagem exprimem, ligados, os intuitos dos romances, a visão da vida que decorre dele, os significados e valores que o animam. “No meio deles, avulta a personagem, que representa a possibilidade de adesão afetiva e intelectual do leitor, pelo mecanismos de identificações, projeções, transferências, etc.”(pág. 54).

Não devemos nos espantar se a personagem pareça o que há de mais vivo no romance. A leitura deste dependa basicamente da aceitação da verdade da personagem por parte do leitor. Um erro freqüente é pensar que o essencial do romance é a personagem, como se este pudesse existir separado das outras que lhe proporcionam vida. Pode-se dizer que, este é o elemento mais atuante, mas a construção estrutural é a maior responsável pela força e eficácia de um romance.

A personagem é um ser fictício; é algo que, sendo uma criação da fantasia, comunica a impressão da mais lídima verdade existencial. É uma relação entre o ser vivo e o fictício que se concretiza através do personagem. Entre o ser vivo e a ficção há tanto diferenças como afinidades e ambas são extremamente importantes para criar o sentimento de verdade que é a verossimilhança.

“A personagem é um ser fictício, - expressão que soa como paradoxo. (...) No entanto, a criação literária repousa sobre este paradoxo, e o problema

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