Análise da personagem paulo honório da obra são bernardo, de graciliano ramos

4064 palavras 17 páginas
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ – UESPI
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E LETRAS
CURSO: LICENCIATURA PLENA EM LETRAS/PORTUGUÊS

ARTIGO CIENTÍFICO

*VALDIRENE OLIVEIRA MACHADO

*Acadêmica do 06ª bloco do curso de Licenciatura Plena em Letras/Português da Universidade Estadual do Piauí.
RESUMO
Este trabalho apresenta uma análise da personagem Paulo Honório da obra São Bernardo, de Graciliano Ramos, enfocando não só o seu papel na narrativa como narrador, mas também como personagem, a ambição do mesmo para crescer como uma pessoa forte e poderosa e a duplicidade temporal que ocorre no decorrer da obra. A obra também em destaque problematiza o homem do período de trinta, considerando a presença da ditadura militar, cujas incertezas são
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Ao contrário de outros romancistas de 30, Graciliano Ramos jamais teve qualquer nostalgia do universo em derrocada das velhas oligarquias rurais. Analisou a realidade de onde procedia com aspereza, mesmo sendo descendente, tanto pelo lado materno como pelo paterno, de senhores latifundiários. Isso se deve, provavelmente, à clareza de suas idéias. E também a experiências infantis frustrantes dentro da sociedade patriarcalista que aguçaram-lhe a sensibilidade para as misérias de um sistema injusto e apodrecido.

A obra de Graciliano Ramos

Em sua obra está presente a vida dotada de forte densidade humana, resultante de sua experiência pessoal, conforme se pode constatar tanto em Infância e Memórias do Cárcere, como na ficção regionalista Caetés, São Bernardo e Vidas Secas, para onde o romancista transpôs o sertão nordestino com sua gente sofrida seus cenários e seus tipos.
Observemos a afirmação de Antonio Cândido, Ficção e Confissão, In: São Bernardo, 1972.

Para ler Graciliano Ramos, talvez convenha ao leitor aparelhar-se do espírito de jornada dispondo-se de uma experiência que se desdobra em etapas e, principiada na narração de costumes, termina pela confissão das mais vividas emoções pessoais. Com isto, percorre o sertão, a mata, a fazenda, a vila, a cidade, casa, a prisão, vendo fazendeiros e vaqueiros empregados e funcionários, políticos e vagabundos, pelos quais passa o romancista,

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