As Articula Es Das M Sicas Popular E Erudita No Contexto Das Tradi Es Ocidental E Oriental

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As articulações das músicas popular e erudita no contexto das tradições ocidental e oriental.1

O filósofo Sócrates costumava perguntar a diversos artistas e profissionais do mundo grego o que, de fato, cada um deles fazia. Essa pergunta - genuinamente grega - pela essência de algo, pelo seu "que", ainda ressoa em nossa cultura ocidental como uma inquietação legítima, mesmo tendo passado já mais de dois mil anos. Muitas vezes, o diálogo socrático levava o especialista em uma determinada área a admitir que, na verdade, não conseguia responder com clareza a essa questão fundamental sobre a própria atividade que exercia com grande destaque.
Da mesma forma, se questionarmos músicos profissionais acerca da essência da música erudita e da
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Aqui parece residir um caminho mais promissor: já há muitos séculos, a música erudita constituiu um artesanato baseado na escrita. A escrita musical é, de fato, uma característica marcante da música erudita. A música erudita depende de uma elaboração artesanal no papel e de uma transformação desse artesanato escrito em som interpretado.
Por esse fato, muitas vezes, os músicos populares acusam a música erudita de ter perdido o vínculo com a improvisação, de ter se cristalizado numa "escrita morta". Esse é, no entanto, mais um preconceito, pois a música erudita de qualidade encontra vida através e apesar do texto escrito. Essa "vida" apesar e através da escrita manifesta-se tanto no domínio composicional quanto no da interpretação.
Não podemos desconsiderar que o compositor que escreve também improvisa: ele esboça, altera, ouve, toca, canta e reflete. Ele improvisa em câmara lenta, compasso a compasso. Ao contrário do improviso do músico popular, que busca o resultado diretamente na gravação ou na execução ao vivo, esse improviso erudito toma forma no pentagrama. Não há só estrutura, há também improviso na escrita musical.
Por outro lado, o intérprete - apesar de seguir detalhadamente a partitura - também improvisa. Este aparente paradoxo ocorre porque nem tudo pode ou deve ser escrito: o som não pode ser escrito, o timbre não pode entrar no papel. Também o equilíbrio entre vozes melódicas e acompanhamento harmônico pode ser

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