Concepções de linguagem e análise lingüística: diagnóstico para propostas de intervenção

5906 palavras 24 páginas
CONCEPÇÕES DE LINGUAGEM E ANÁLISE LINGÜÍSTICA: DIAGNÓSTICO PARA PROPOSTAS DE INTERVENÇÃO Alba Maria PERFEITO Universidade Estadual de Londrina

Resumo: O presente trabalho busca relacionar as concepções de linguagem, às teorias que lhe são subjacentes e a prática do professor, em termos de ensino gramática. Como parte do projeto de pesquisa de cunho processual e etnográfico, intitulado “Escrita e ensino gramatical: um novo olhar para um velho problema”, ele é desenvolvido pela Universidade Estadual de Londrina. Assim, no primeiro momento, abordaremos diagnósticos realizados em 4ªs e 8ª séries do ensino fundamental, em escolas das cidades de Londrina e Maringá - PR. O material analisado constituiu-se elemento deflagrador do processo de
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1. Concepções de linguagem e ensino gramatical Em virtude do exposto, neste item, discutiremos as concepções de linguagem, as teorias subjacentes a tais visões e sua relação com o ensino da gramática. 1.1. A linguagem como expressão de pensamento A concepção de linguagem como expressão de pensamento é um princípio sustentado pela tradição gramatical grega, passando pelos latinos, pela Idade Média e pela Moderna, teoricamente só rompida no início do século XX, de forma efetiva, por Saussure (1969). Preconiza que a expressão é produzida no interior da mente dos indivíduos. E da capacidade de o homem organizar a lógica do pensamento dependerá a exteriorização do mesmo (do pensamento), por meio de linguagem articulada e organizada. Assim, a linguagem é considerada a “tradução” do pensamento. A concepção em tela fundamenta os estudos tradicionais de língua. Parte da hipótese de que a natureza da linguagem é racional, por entender os homens pensarem conforme regras universais (de classificação, de divisão e de segmentação do universo). Sob esse enfoque, segundo Leroy (1971), a Gramática Geral e Racional (ou Razoada) de Port Royal (1660), cujos autores são Arnaud e Lancelot, acaba consolidando o princípio gramatical dos alexandrinos (séculos II e I a.C.). Os alexandrinos aperfeiçoaram a teoria de Aristóteles (384-322 a.C.), que procedeu à análise da estrutura lingüística grega, concebendo a gramática como parte da Lógica. Porém, atribuíram maior importância aos

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