Determinismo, ciência e literatura: o cortiço de aluísio azevedo

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ALGUMAS MANIFESTAÇÕES DE DETERMINISMO NO NACIONAL, A PARTIR DA LITERATURA DE ALUÍSIO DE AZEVEDO E A “CIÊNCIA” DE NINA RODRIGUES

Introdução – Noção de determinismo

Segundo a enciclopédia digital Wikipédia, determinismo “é a teoria filosófica de que todo acontecimento (inclusive o mental) é explicado pela determinação, ou seja, por relações de causalidade[1]”. Dentre seus tipos, o mais famoso seria o ambiental ou geográfico em que viceja a “concepção segundo a qual o meio ambiente define ou influencia fortemente a fisiologia e a psicologia humana, de modo que seria possível explicar a história dos povos em função das relações de causa e efeito que se estabeleceriam na interação natureza/homem[2].”

As várias manifestações de
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Além, tinha como meta a depuração de elementos degenerativos e raças inferiores em uma dada sociedade (SCHWARCZ, 1993). A França também contribuiu, com intelectuais, para ampliação desse paradigma determinista. Arthur de Gobineau (1816-1882) e Gustave Le Bon (1841-1931) acreditavam num determinismo racial onde as vontades individuais estavam condicionadas à raça. Ademais, acreditavam piamente que a mistura de espécies humanas diferentes degeneravam a raça e comprometiam uma identidade nacional. Hyppolite Taine (1828-1893), por sua vez, acreditava que nenhum fenômeno aconteceria sem uma causa exterior a motivá-lo (SCHWARCZ, 1993). Finalmente, Émile Zola (1840-1902), pai do naturalismo francês, denuncia, em suas obras, a malignidade do meio (relações de trabalho capitalistas) sobre a sociedade e sua classe trabalhadora. Entretanto, Nélson Werneck Sodré (1960) coloca que a literatura naturalista, a despeito de seu pedantismo de exposição da realidade, a partir do uso de recursos científicos, se faz notar pelo: “abandono do exame dos mais profundos motivos, que revelam as conexões causais e humanas, limitada a visão ao superficial e cotidiano da existência, conduz, inevitavelmente, ao subjetivismo” (SODRÉ, P. 353). Após este breve panorama dos intelectuais e escolas, amparados na lógica determinista do século XIX, apresentar-se-á dois casos, cada uma na sua singularidade, que

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