Etica moderna e humanismo

3173 palavras 13 páginas
ÉTICA MODERNA E HUMANISMO[1]

Com a chegada da modernidade, na Europa, entre os séculos XVI e XVIII, o pensamento filosófico rompe tanto com a antiguidade greco-romana, como com o pensamento cristão medieval. Uma das marcas desse rompimento com o pensamento greco-romano está na profunda diferença que os filósofos modernos estabelecem entre a humanidade e a natureza ou animalidade. Lembremo-nos que, para o pensamento greco-romano, a natureza era uma referência positiva. Tanto é assim, que Platão e Aristóteles pensaram uma ética das virtudes naturais. Quanto mais o comportamento dos homens se aproximasse das suas tendências naturais, mais próximo estariam da excelência ética e moral. Em Platão, as virtudes naturais desempenhavam
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Ideologias raciais difundem que cada raça guarda uma essência própria, apartando uma da outra de acordo com as suas habilidades, e impondo-as a todos os indivíduos daquele grupo: a inteligência dos judeus, a espontaneidade dos africanos, a habilidade dos árabes, etc. Por sua vez, as ideologias sexistas divulgam que todas as mulheres têm uma essência ou natureza mais sensível que a dos homens, mais propensas às emoções do que às abstrações; num certo sentido, mais próximas do ambiente familiar do que do mundo do trabalho. E é justamente a postura antinaturalista defendida pelas filosofias modernas que vai permitir elaborar uma filosofia em favor dos direitos humanos. Porque o sujeito dos direitos humanos não tem uma natureza particular, que o identifica a um grupo específico (seja nacional, religioso, étnico), pelo contrário, ele é todo e qualquer indivíduo. Esse indivíduo passa a ter um reconhecimento universal, já que todos possuem uma igual capacidade de liberdade. Dessa nova definição antinatural e antiaristocrática do homem, Kant deduz, em apoio a outro filósofo moderno, Jean-Jaques Rousseau, os dois principais pilares da moralidade moderna, também presentes na Declaração dos Direitos do Homem: o desinteresse e a universalidade. Primeiramente, a verdadeira ação moral deve ser desinteressada, isto é, deve ser livre

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