Nelson e SAnto Agostinho

3794 palavras 16 páginas
Rachel Fátima Nunes

Santo Nelson, d'ápres Santo Agostinho

“O desejo de ascender ao paraíso está tão enraizado no homem quanto a sua irrecuperável tendência a se precipitar no inferno”
Luis Arthur Nunes

Quase ninguém saberá de quem se trata se nomearmos como admirado filósofo o senhor Agostinho de Hipona. Mas ninguém ignorará o mestre se o nomearmos simplesmente Santo Agostinho. Ele é o célebre autor da frase muitas vezes citada na forma "Senhor, livrai-me das tentações, mas não hoje", o santo pecador, o teórico do amor, aquele que escreveu as Confissões e, na obra A Cidade de Deus, assentou as estruturas teológicas da Igreja Católica Apostólica Romana. Isso em termos básicos, é claro, pois, como sabemos, somente
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A já citada máxima, sob nova forma, “Deus, faze-me puro e casto, mas não agora!”, repete-se a todo momento na obra rodrigueana. Podemos dizer que os personagens de Nelson Rodrigues nada mais fazem do que demonstrar a justeza da fórmula agostiniana, indo de encontro ao seu sentido essencial: é no aprofundamento das torpezas e fraquezas humanas que reconhecemos o salto possível para a transcendência, como diz o próprio Nelson:

“Meu teatro se preocupa em contemplar a natureza humana com as suas possibilidades de transcendência e redenção. (...) O ser humano só se salva quando chega a conhecer a própria hediondez. É isso que eu procuro no meu teatro: reconhecer a hediondez do ser humano”
(Rodrigues, Nelson, p. 23)

A queda do homem, segundo José Américo Pessanha, é de inteira responsabilidade do livre-arbítrio humano, mas este não é suficiente para fazê-lo retornar às origens divinas. A salvação não é apenas uma questão de querer, mas de poder. E esse poder é privilégio de Deus. Chega-se, com este raciocínio, à doutrina da predestinação e da graça, uma das idéias centrais da filosofia de Agostinho:

“A graça é necessária para que o homem possa lutar eficazmente contra as tentações da concupiscência. Sem ela o livre-arbítrio pode distinguir o certo do errado, mas não pode tornar um bem um fato concreto. Sem o auxílio da graça, o livre-arbítrio elegeria o mal; com ela,

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