O casamento da maria feia

5308 palavras 22 páginas
PEÇA TEATRAL (COMÉDIA)

O CASAMENTO DE MARIA FEIA

Rutinaldo Miranda Batista Júnior

Personagens: Lamparina, cangaceiro Maria Feia, filha de Lamparina Zé das Baratas Matilde, irmã de Zé das Baratas

1

Cenário: tela, ao fundo, com povoado nordestino. Lamparina e Maria Feia usam trajes de cangaceiro. Zé das Baratas, camisa social abotoada no pulso. Matilde, vestido florido de chita e um chapéu. * Os trechos entre duplo colchete são para o teatro de rua. Podem ser total ou parcialmente omitidos no palco convencional. Zé das Baratas e Matilde em cena. [[Matilde – (para o público) Minha gente chegue mais. Chegue mais pra escutar. Essa é uma história esquisita, que deu no que falar. É o Casamento de Maria Feia, a mulher que ninguém
…exibir mais conteúdo…
LAMPARINA – Pois era tu mesmo que eu tava procurando. Um cabra com sangue no olho. ZÉ – Então encontrou a pessoa certa. MATILDE – Ô, Zé! ZÉ – (repreensivo) Que foi? Não tá vendo que tô arranjando um cliente! LAMPARINA – Essa é tua mulher? ZÉ – Não, é minha irmã. Trabalha comigo. LAMPARINA – Quer dizer que ela também costuma matar? ZÉ – Não, quem mata sou eu. Ela faz coisa bem pior. LAMPARINA – Não me diga! E o que é que ela faz? ZÉ - Sabe quando não matou e fica com as pernas mexendo? LAMPARINA - Sei. ZÉ - Pois ela vai lá e arranca as pernas. 3

Lamparina fica olhando pra Matilde com respeito, balançado a cabeça, enquanto ela fica desconcertada. LAMPARINA – Essa mulher é das minhas! MATILDE – (com um sorriso amarelo) Dá licença! Matilde puxa Zé pra um canto. Lamparina e Maria Feia ficam olhando os recibos. MATILDE – O que você tá fazendo, seu doido? ZÉ – Ora, tô conseguindo trabalho. MATILDE – Que trabalho?! Olha só pra aqueles dois. Não vê que são cangaceiros? ZÉ – Ah, é? E daí? Que mal tem em matar barata pra eles? MATILDE – Eles não querem que você mate barata! ZÉ – Tudo bem, eu posso matar piolho ou pernilongo ou... MATILDE – Escuta, não é nada disso. ZÉ – Claro que é. Não ouviu ele falar que já matou vinte só de uma vez? Deve ter sido um inseticida dos bons! Depois eu pergunto qual foi. Matilde põe as mãos nos ombros de ZÉ. MATILDE – (mirando nos olhos) Foi gente. Eles matam gente. ZÉ – (rindo, incrédulo) Que é isso!

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