O misticismo de fernando pessoa

4070 palavras 17 páginas
O Misticismo de Fernando Pessoa – Por ele mesmo
Objetivo:

A literatura é o retrato vivo da alma humana, é a presença do espírito na carne. Saber buscar os múltiplos caminhos da existência é tentar uma conexão com o desconhecido, é saber reconhecer que o homem continua cada vez mais incomunicável ou até mesmo incompreendido, pois se voltou para o interior. Uma autoanálise muitas vezes o faz deparar com a realidade e fantasias. Se em séculos atrás a solidão se fazia presente, hoje parece ter se tornado o mal do século.
Entender Pessoa como forma de análise, pode desvendar lugares inóspitos; um caos de emoções e uma busca infindável pelo desconhecido. Fernando Pessoa era muito em um e sua multiplicidade se conflita com a incerteza de um
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Sua identidade possui grande notabilidade na famosa misteriosidade do poeta. “Com uma tal falta de gente coexistível, como há hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos, ou quando menos, os seus companheiros de espírito?”
Esta criação e multiplicação de heterônomos de Pessoa, ao mesmo tempo em que se torna uma total evacuação de seu próprio ser, não deixando se mostrar como tal e mais uma vez, se desfazendo duma nomeação de genialidade, faz com que Pessoa, ao final de tudo, na busca do seu próprio “eu”, não encontre mais ninguém. Podemos dizer que propositalmente Pessoa mostra que a sociedade burguesa da época, rotulasse o cidadão como tal, um nada, um ser inexistente, aquele que não serve, nem para louco, nem maldito, mas aquele que falhou em tudo - inútil. Isto porque o escritor, o artista é aquele que mais sente sua desqualificação, falta de função e de lugar nessa sociedade pragmática. A falta de lugar para o “belo” e para a consciência, nessa sociedade, é uma privação que atinge todos os seus membros; mas o escritor (o filósofo e o poeta) quem mais rapidamente detecta essa privação, porque o exercício da lucidez e a afirmação de valores autênticos eram o que, historicamente, justificava o seu ofício.
“Não sei sentir, não sei ser humano, conviver/ De dentro da alma triste com os homens meus irmãos na terra/ Não sei ser útil mesmo sentindo, ser prático, ser quotidiano, nítido,/ Ter um lugar na vida, ter um

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