Ser Consumidor Numa Sociedade De Consumo Zygmunt Bauman

1883 palavras 8 páginas
SER CONSUMIDOR NUMA SOCIEDADE DE CONSUMO

membros pela condição de consumidores. A maneira como a sociedade atual molda seus membros é ditada primeiro e acima de

Zygmunt Bauman

tudo pelo dever de desempenhar o papel de consumidor. A norma que nossa sociedade coloca para seus membros é a da capacidade e vontade de desempenhar esse papel.
Naturalmente, a diferença entre viver na nossa sociedade ou

Nossa sociedade é uma sociedade de consumo.
Quando falamos de uma sociedade de consumo, temos em

na sociedade que imediatamente a antecedeu não é tão radical

mente algo mais que a observação trivial de que todos os membros

quanto abandonar um papel e assumir outro. Em nenhum dos seus

dessa sociedade consomem; todos os seres humanos, ou
…exibir mais conteúdo…
E esse tempo deveria ser reduzido

exigir um compromisso “até que a morte nos separe”, nenhuma

ao mínimo. A necessária redução do tempo é melhor alcançada se os

necessidade deveria ser vista como inteiramente satisfeita, nenhum

consumidores não puderem prestar atenção ou concentrar o desejo

desejo como último. Deve haver uma cláusula “até segunda ordem”

por muito tempo em qualquer objeto; isto é, se forem impacientes,

em cada juramento de lealdade e em cada compromisso. O que

impetuosos, indóceis e, acima de tudo, facilmente instigáveis e

realmente conta é apenas a volatilidade, a temporalidade interna de

também se facilmente perderem o interesse. A cultura da sociedade

todos os compromissos; isso conta mais que o próprio compromisso,

de consumo envolve sobretudo o esquecimento, não o aprendizado.

que de qualquer forma não se permite ultrapassar o tempo necessário

Com efeito, quando a espera é retirada do querer e o querer da

para o consumo do objeto do desejo (ou melhor, o tempo suficiente

espera, a capacidade de consumo dos consumidores pode ser

para desaparecer a conveniência desse objeto).

esticada muito além dos limites estabelecidos por quaisquer necessidades naturais ou adquiridas; também a durabilidade física dos objetos do desejo não é mais exigida. A relação tradicional entre

1

Max Weber, The Protestant Ethic and the Spirit of Capitalism, trad. Talcott Parsons
(Londres,

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