Trabalho criança e mulheres revolução industrial

3606 palavras

A Exploração do Trabalho Feminino e Infantil a partir da Revolução Industrial O trabalho feminino e infantil foi uma das características mais marcantes da Revolução Industrial.

 

A concepção era de que as crianças pobres deveriam trabalhar, porque o trabalho protege do crime e da marginalidade, uma vez que o espaço fabril era concebido em oposição ao espaço de rua, considerado desorganizado e desregulado. Além disso, o trabalho das crianças permitia um aumento da renda familiar, ao mesmo tempo em que podia ser visto como uma escola, a escola do trabalho. As crianças eram utilizadas nas fábricas e nas minas de carvão, sendo que muitas morriam devido ao excesso de trabalho, da insalubridade do ambiente e da desnutrição. Entre 1780 e 1840 intensificou-se a exploração de crianças. Eram ajudantes de cozinheiro, operadoras de portinholas de ventilação, ou nas fábricas.

Os acidentes mais comuns entre as crianças ocorriam porque elas ficavam por intermináveis horas sobre as máquinas, muitas vezes sustentadas por uma perna-de-pau, pois seu pequeno tamanho não lhes permitia atingir o cimo dos altos teares. Muitas crianças adormeciam e tinham seus dedos estraçalhados pelas engrenagens dos teares. O número de acidentes ocorridos não tem paralelo na história da maquinaria. Num único estabelecimento industrial, de estomentar o linho, entre 1852 e 1856, houve seis casos de morte e 60 mutilações graves. Não havia qualquer indenização pelos membros amputados, muito menos para os dias de paralisação das atividades. O trabalho infantil era o escolhido, especialmente nas tecelagens, onde se exigia pouca força muscular e os dedos finos das crianças adaptavam-se perfeitamente à tarefa de atar os fios que se quebravam em meio à trama. Sua debilidade física era garantia de docilidade, recebendo apenas entre 1/3 e 1/6 do pagamento dispensado a um homem adulto e, muitas vezes, recebiam apenas alojamento e alimentação. Os contratos que prendiam os pequenos trabalhadores à fábrica eram em geral de sete anos, a mesma duração da antiga aprendizagem. Os patrões comprometiam-se a dar-lhes formação profissional, educação religiosa e moral.