Aspectos imunológicos da esquistossomose mansoni hepatoesplênica após cirurgia terapêutica

Enviado por Lucyr J. Antunes


RESUMO

A forma hepatoesplênica da esquistossomose mansoni pode apresentar complicações, como o sangramento de varizes esofágicas e gástricas, que requerem tratamento cirúrgico. Apesar de a esplenectomia ser freqüentemente necessária, esses pacientes raramente desenvolvem os fenômenos sépticos, que são mais freqüentemente encontrados em pessoas asplênicas do que na população em geral. Essa particularidade dos esquistossomóticos pode ser relacionada a alguma característica particular do sistema imune nessa afecção. Com o objetivo de investigar os aspectos imunológicos de pacientes com esquistossomose, foram estudados os linfócitos T e B além das imunoglobulinas M, A, e G (IgM, IgA, e IgG) em pacientes esquistossomóticos submetidos ou não a procedimentos cirúrgicos para tratamento de complicações da hipertensão porta. Esses pacientes foram comparados com voluntários normais sem afecção sistêmica aparente. Os pacientes operados por derivação esplenorrenal distal com a preservação do baço apresentaram aumento dos linfócitos T em comparação com o grupo-controle, de pessoas normais. Os níveis de IgG e IgM foram mais elevados nos pacientes submetidos a esplenectomia total do que no grupo-controle. Esses resultados sugerem que a esquistossomose mansoni crônica pode influenciar o sistema imune, garantindo que, mesmo na ausência do baço, os pacientes estejam protegidos de fenômenos infecciosos graves.

Palavras-chave: Esquistossomose mansoni; linfócitos; esplenectomia; imunoglobulinas; conservação esplênica; CT.

ABSTRACT

Schistosomiasis mansoni has a particular immunological pattern. Its hepatosplenic form develops sometimes to esophageal and gastric varices, hemorrhages that require surgical treatment. Despite of splenectomy frequently being required, these patients rarely present with septic events. These findings may be related to changes in the immunological system. In order to investigate the immunological pattern of patients with schistosomiasis, we studied the B- and T- lymphocytes and immunoglobulins – IgM, IgA and IgG – in operated and non-operated patients. Distal splenorenal shunts were related to increased T-lymphocytes. IgM and IgA were increased in patients submitted to subtotal and total splenectomy. The IgM was also increased in non-operated patients. These results suggest that chronic schistosomiasis may affect the immune system and protect patients even after total splenectomy.

Key words: Schistosomiasis mansoni; lymphocytes; splenectomy; immunoglobulins; splenic preservation.

Introdução

A forma hepatoesplênica da esquistossomose mansoni usualmente se acompanha de elevação dos níveis de IgM e IgG.1-10 Esse fenômeno pode ser, pelo menos parcialmente, responsável pela maior resistência à infecção que se verifica em pacientes portadores dessa moléstia.6,11,12 A defesa imunitária é também dependente dos linfócitos T, pois os macrófagos que destroem o esquistossoma são ativados por linfocinas derivadas das células T.6,13-16 Pesquisas imunológicas sugerem que a resistência a processos sépticos induzida por outros agentes pode ser, da mesma forma, adquirida.4,16-18 Assim, é possível supor que processos imunológicos mais complexos estejam envolvidos nos fenômenos encontrados na esquisotossomose crônica.

Por outro lado, já está estabelecido na literatura que a esplenectomia total se acompanha de uma freqüência muito maior de infecções, principalmente pneumonia, durante toda a vida do paciente operado, quando comparado com a população em geral.19-22 Essa situação se deve, com certeza, à imunodepressão verificada nos estados asplênicos.22,23,24 A IgM, que participa ativamente da defesa aguda contra infecções, é uma das opsoninas que é reduzida pela retirada do baço.19,21,23

As esplenectomias subtotal ou total fazem parte de algumas operações para o tratamento de hemorragias digestivas altas decorrentes de varizes esofágicas e gástricas por hipertensão porta esquistossomótica.16,24-28 Muitos desses pacientes apresentam pancitopenia provocada pela esplenomegalia e ainda podem ser mal nutridos, devido a problemas sociais. Mesmo diante de tantos fatores adversos, esses doentes não desenvolvem quadros sépticos graves no período pós-operatório, assim como não há registro de tais complicações, de forma significativa, durante a história de sua afecção.29-40 Na literatura, não encontramos explicação para essa aparente maior resistência dos pacientes esquistossomóticos à infecção. Nesse sentido, decidimos procurar uma possível relação entre a esquistossomose crônica e particularidades no padrão imunológico de pacientes portadores dessa doença.

 


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