As ciências sociais brasileiras no século 20

Enviado por Simon Schwartzman


 * Publicado em Ciência Hoje, abril, 2000

Celso Furtado, com a Formação Econômica do Brasil (1954), e Gilberto Freyre, com Casa Grande e Senzala (1933) e Sobrados e Mocambos (1936), são os autores brasileiros mais importantes do século 20, conforme o resultado de enquete feita com cerca de 50 cientistas sociais brasileiros em atividade. Logo a seguir, surgem Raymundo Faoro, com Os Donos do Poder (1958), Sérgio Buarque de Holanda, com Raízes do Brasil (1936), Victor Nunes Leal, com Coronelismo, Enxada e Voto (1948), e Caio Prado Júnior, com Formação do Brasil Contemporâneo (1942) e Evolução Política do Brasil (1933).

Num patamar pouco abaixo, estão Florestan Fernandes, com referência a diversas obras a partir dos trabalhos clássicos sobre os índios Tupinambá, e Oliveira Viana, autor de Populações Meridionais do Brasil (1920) e Instituições Políticas Brasileiras (1949). Euclides da Cunha, com Os Sertões (1902), ainda é bastante lembrado, e o livro de Fernando Henrique Cardoso e Enzo Falleto, Dependência e Desenvolvimento na América Latina, publicado no Brasil em 1970, é citado por muitos como livro dos mais influentes, mas não é reconhecido como de importância equivalente do ponto de vista do mérito.

Além desses, outros 12 livros ou autores deste século foram citados por pelo menos duas pessoas como pertencendo ao grupo seleto dos mais importantes ou influentes, sem, no entanto, lograr maior consenso (ver 'Outras citações'). Na maioria, essas referências são específicas de certas áreas do conhecimento, não tendo maior visibilidade fora delas.

Um pouco da metodologia

A amostra de respondentes limitou-se a uma lista de cientistas sociais com endereços de Internet disponíveis na agenda do autor. Dos 49 que responderam a tempo, dez eram sociólogos, 13 eram cientistas políticos, 14 eram economistas, seis eram antropólogos e os demais historiadores e pessoas da área do direito, da filosofia e da administração. É um grupo bastante sênior, tendo terminado em média os cursos de graduação em 1969 e os de pós-graduação ao redor de 1983. Cerca de 40% das pós-graduações foram feitas nos Estados Unidos; outros 40% no Brasil, sobretudo na Universidade de São Paulo, no Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, e na Universidade Estadual de Campinas; os demais, na Europa e Chile.

Nem todos interpretaram da mesma forma as perguntas, e a distinção entre sociólogos e cientistas políticos não é muito nítida em vários casos. Além dos que não responderam, por razões variadas e não ditas, obtive uma recusa formal, e duas ou três respostas que não se encaixaram no formato proposto; várias pessoas se queixaram da limitação do número, mas nem por isso deixaram de responder.

Por todas essas razões, os dados, apresentados na tabela 1, não têm rigor estatístico, mas acredito que sejam representativos das perspectivas dominantes de um grupo significativo e influente de cientistas sociais.

 


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