Mutações em arte e design: a cibercultura



No estado de globalização do mundo atual, a publicidade e a comunicação de massas exercem um importante papel. O estado atual da arte resulta de mutação de costumes e comportamento originada pela evolução do status social e cultural e que tem, como elemento detonador, a introdução do uso da máquina.

Desde o alvorecer da humanidade o homem vem procurando criar artefatos ou máquinas que substituam seu trabalho manual e intelectual. A princípio ele criou extensões, que aumentariam sua força e o alcance de seus braços; elementos como a pá e a enxada, viriam encompridar os membros do homem ou substituir partes de seu corpo incapazes de executar determinadas tarefas. Depois ele inventou a roda, revolução que lhe permitiria modificar seus hábitos de locomoção, tornando-o capaz de atingir distâncias maiores, em menos tempo.

Com o advento da Revolução Industrial, surgiram as máquinas a vapor e, em seguida, as máquinas eletromecânicas, que substituiriam a força física do homem, assim como inseririam a mecanização na locomoção. Entre elas as máquinas industriais, as máquina de lavar roupas, as de lavar pratos, os elevadores, os automóveis, os aviões, etc, que substituíram a força bruta do homem empregada para essas tarefas.

Em seguida, o homem criou as máquinas sensoriais, que estenderiam seus sentidos. Nasceram baseadas em teorias e pesquisas científicas sobre os sentidos do corpo humano, especialmente o olho. Estão nesta categoria o binóculo, o telescópio, o microscópio e a máquina fotográfica. Na realidade, são todas robôs. Elas reproduzem o funcionamento de um órgão sensório humano, ampliando a sua capacidade de ouvir ou visualizar. Elas reproduzem signos. São estes signos capturados da realidade, e devolvidos ao mundo como duplos, imagens e ecos daquilo que vemos ou ouvimos.

Existe, atualmente, uma outra geração de robôs composta por computadores. Com o uso desses robôs, máquinas cerebrais ou máquinas eletrônicas, que possuem dispositivos com habilidades de simular o funcionamento do cérebro humano, o homem caminhou um pouco mais na direção do futuro previsto por Júlio Verne, Lewis Carroll e Marshall McLuhan.

Os computadores são máquinas que usam uma linguagem baseada na informática, ciência que se define como o tratamento racional e automático da informação, considerada esta como base para conhecimentos e comunicações. Estas máquinas também evoluíram, segundo afirma Lúcia Santaella, em artigo publicado no livro organizado por Diana Domingues, A Arte no século XXI:

Cada vez mais a comunicação com a máquina, a princípio abstrata e desprovida de sentido para o usuário, foi substituída por processos de interação intuitivos, metafóricos e sensório-motores, em agenciamentos informáticos amáveis, imbricados e integrados aos sistemas de sensibilidade e cognição humana. Enfim, o próprio computador, no seu processo evolutivo, foi gradativamente humanizando-se, perdendo as suas feições de máquina, ganhando novas camadas técnicas para as interfaces fluidas e complementares com os sentidos e o cérebro humano até ao ponto de podermos falar num processo de co-evolução entre o homem e os agenciamentos informáticos, capazes de criar um novo tipo de coletividade, não mais estritamente humana, mas híbrida, pós-humana, cujas fronteiras estão em permanente redefinição. É justamente esse novo ecossistema sensório-cognitivo que está lançando novas bases para repensar a robótica, não mais como máquinas que trabalham para o homem, mas como a emergência de um novo tipo de humanidade.1


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