Teoria da Localização de Krugman. Apresentação e Críticas

Enviado por José Alberto Afonso Alexandre - josealexandre[arroba]aveiro-digital.net


Partes: 1, 2, 3
  1. Introdução
  2. A nova geografia económica de Paul Krugman
  3. Teoria da localização de Paul Krugman
  4. Teoria do comércio
  5. Organização da economia mundial
  6. Modelo da concentração urbana
  7. Análise crítica das teorias de Krugman
  8. Referências bibliográficas

«… mesmo se o comércio não é suficiente para erradicar a pobreza, é essencial se se quiser que os pobres tenham esperança num futuro melhor. Por exemplo, há 30 anos, a Coreia do Sul era tão pobre quanto o Ghana. Actualmente, graças ao crescimento proporcionado pelo comércio, é tão rica quanto Portugal».

M. Mike Moore, Director geral da OMC

Introdução

Nos últimos anos, devido às crescentes preocupações com o desenvolvimento económico e social, a Geografia económica e do desenvolvimento tornou-se um campo fértil, onde investigadores indagam as razões da existência de tamanhas desigualdades entre territórios. No nosso caso, as razões prendem-se com as implicações da unificação do mercado europeu através da criação da União Europeia, ou ainda das preocupações surgidas por parte de alguns sectores humanistas das disparidades entre países desenvolvidos e países subdesenvolvidos, ou seja, o fosso entre o Norte e o Sul.

No entanto, embora a Geografia Económica seja um ramo bastante antigo da ciência geográfica, tendo florescido no século XIX, principalmente na Alemanha, alguns assuntos eram tidos como intratáveis, devido à utilização de conceitos como o dos rendimentos constantes. Recentemente surgiram novos métodos de trabalho e novas temáticas, reflexos de uma mudança de paradigma, como sejam a organização industrial, o comércio internacional e o crescimento económico que removeram barreiras técnicas cruciais e transformaram aquele campo inóspito num terreno fértil para os investigadores.

Relativamente aos avanços nos métodos de trabalho, é de destacar a premissa de que o desenvolvimento regional e urbano deve depender do papel dos rendimentos crescentes em vez dos rendimentos constantes. Contudo este pressuposto ainda é negado por muitos teóricos mais renitentes. De facto, a localização das actividades económicas difere enormemente: existem desigualdades na densidade da população e o comércio também está dependente do ambiente natural: em termos de vias de comunicação, ou ainda no que se refere à fertilidade do solo, uma vez que nenhuma localidade poderá produzir todos os bens mesmo sob rendimentos constantes.

Assim, a enorme desigualdade verificada – entre as áreas industriais densamente povoadas e as áreas agrícolas abandonadas, entre as cidades congestionadas e as áreas rurais desoladas – é seguramente o resultado não de diferenças inerentes entre lugares mas de um conjunto de processos cumulativos, bem como da acção de rendimentos crescentes, através dos quais a concentração geográfica se auto-reforça. Esta será a lei geral, no entanto, existem excepções.

Em termos metodológicos, os rendimentos crescentes sempre colocaram dificuldades aos geógrafos, mas a partir da década de 1970, apareceu uma «nova geografia económica», que é a quarta vaga da revolução dos rendimentos crescentes na economia, sendo aplicada no campo da organização industrial, à medida que investigadores começaram pela primeira vez a desenvolver modelos aplicáveis da concorrência na presença de rendimentos crescentes, sendo de destacar Dixit & Stiglitz (1977) que desenvolveram em 1977 a formalização do conceito de concorrência monopolística que foi posteriormente aplicado a numerosos campos. Ainda no final da década de 1970, a metodologia analítica da nova teoria da organização industrial foi aplicada ao comércio internacional; poucos anos depois a mesma metodologia foi aplicada às mudanças tecnológicas e ao crescimento económico.

Em cada caso foi preciso ir mais além do que aplicar o modelo de Dixit-Stiglitz ao assunto em causa: desenvolveram-se novos conceitos, proliferaram modelos semelhantes ainda que inconsistentes, em que cada autor inventava a sua própria linguagem. No final deste período de turbulência surgiram as notáveis teorias do «novo comércio» e do «novo crescimento».

Com este estudo pretendemos compreender o processo de desenvolvimento dos territórios, nomeadamente através do contributo do comércio, para tal apresentaremos as ideias-chave de um autor de renome no campo da nova geografia económica: Paul Krugman, que se tem notabilizado devido aos seus trabalhos sobre a introdução da concorrência imperfeita e dos rendimentos crescentes nas análises do comércio internacional assim como sobre a abordagem espacial dos fenómenos de aglomeração, quer se trate da localização industrial ou da aglomeração urbana, ao que se seguem algumas críticas à sua teoria da localização e do comércio internacional e considerações acerca das políticas de desenvolvimento económico regional mas de aplicação global.

Assim, se em 1998, segundo o Banco Mundial, 1,2 mil milhões de pessoas vivia com menos de 200 escudos por dia, ou seja 24% da população mundial e cerca de 56% da população mundial vivia com menos de 400 escudos por dia, não deverão as medidas políticas fomentar o desenvolvimento, ao tornarem o crescimento económico mais inclusivo abrangendo toda a população?

Até porque o crescimento económico está intimamente ligado às outras vertentes do desenvolvimento.

O subdesenvolvimento, com todas as suas expressões como a pobreza, as fracas condições de trabalho, a falta de respeito pelos direitos humanos, o analfabetismo e a degradação ambiental, é um problema multi-dimensional que não pode ser resolvido através de uma única solução. As causas e expressões do subdesenvolvimento não são as mesmas em todo o lado. No entanto, alguns denominadores comuns podem ser encontrados, incluindo a falta de acesso à educação (especialmente das mulheres), cuidados básicos de saúde e a distribuição desigual dos recursos. No entanto, as comunidades rurais, que são as mais afectadas pela pobreza, enfrentam os seus problemas de desenvolvimento relacionados com as fracas ou inexistentes infra-estruturas (vias de comunicação, electricidade, telecomunicações, etc.), que tanto impedem como dificultam a sua participação na economia desses países, bem como na economia mundial. Outro factor que perpetua o subdesenvolvimento é a inexistência de voz política por parte dos seus habitantes para influenciar as prioridades dos governos. É necessária, então, uma estratégia global, elemento essencial do desenvolvimento durável e sustentável.

O nosso objectivo, como já foi salientado, não é compreender o subdesenvolvimento no seu conjunto, mas focar uma parte particular do problema: o papel do comércio na localização das actividades económicas.

Comecemos por notar que as relações entre comércio e subdesenvolvimento não são tão directas e imediatas como as ligações entre subdesenvolvimento e políticas nacionais de educação e de saúde, reformas agrárias, fomento ao crédito, construção de infra-estruturas, «governância», etc. Nem deve o comércio ser comparado com outras políticas internacionais, como o perdoar da dívida externa, os programas de vacinação ou a investigação em doenças tropicais como a malária, ou outras doenças como a SIDA, que afectam os países em desenvolvimento. O comércio pode, todavia, afectar as oportunidades de rendimento dos seus habitantes de várias maneiras – umas positivas, outras negativas.

Em termos macro-económicos, as relações entre o comércio e o crescimento têm sido um tema controverso entre os economistas. Durante o período que seguiu à II Guerra Mundial, muitos investigadores concluíram que as políticas comerciais proteccionistas estimulavam o crescimento, e políticas de substituição das importações estavam largamente em vigor nos países desenvolvidos. Ao longo dos anos 1980, contudo, as análises nacionais e internacionais demonstraram a ineficácia da abordagem de substituição das importações, e então, como consequência, as políticas visando as exportações têm sido favorecidas. Se os estudos internacionais ulteriores sublinham em geral a eficácia, em termos de crescimento, das políticas que favoreçam as exportações, alguns estudos recentes têm contestado esta conclusão.

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