Uma Visão Curiosa Sobre O Haiti (15/1/2006)



A situação no Haiti, quer dizer a situação que se criou para o governo Lula depois da morte do general que comandava as forças da ONU naquele país, essa situação pode dar origem a processo social e político de desdobramentos imprevistos. Esse processo, conforme seja o comportamento dos atores civis e militares (Ativa e Reserva) contribuirá para mudar as perspectivas de futuro até hoje alimentadas.

O laudo oficial -- portanto, a versão oficial -- é a de que o general cometeu suicídio. A curiosidade leva-me a confrontar essa versão com algumas notícias que apareceram na imprensa longo após o corpo ter sido encontrado e, talvez mais importantes dos que as publicadas, as que deveriam ter sido dadas a conhecer ao público e não o foram.

Abaixo, em itálico, de 1 a 5, busco reproduzir as notícias e informações sobre o alegado suicídio do general Urano Teixeira da Matta Bacellar; em tipo normal, apresento minhas dúvidas e considerações.

1. O general foi encontrado morto na varanda do hotel em que se hospedava, vestido de bermudas e camiseta.

N.B. Houve versões contraditórias: o general teria dado um tiro na boca; o suicídio teria sido cometido com um tiro na cabeça. Segundo a Agência Brasil, por informação de um assessor do Exército, teria sido um "acidente com arma de fogo".

Não foi divulgada explicação alguma sobre os motivos que teriam levado o general a dar as costas para a rua (ou o jardim circundante), encostar-se na mureta da varanda e só então atirar contra seu corpo. As fotografias divulgadas mostram que o corpo deslizou da mureta para o chão.

É também curioso que não se tenha estranhado o fato de um general no comando de tropa multinacional ter escolhido aquele traje e aquele local para suicidar-se. Desde os filmes de Errol Flynn sobre o general Custer, sabe-se que os soldados (e com mais razão os generais) morrem com as botas calçadas, isto é, em uniforme.

2. Informação do dia 12 do enviado especial do jornal O Estado de S. Paulo a Porto Príncipe, divulgada pela Radio Eldorado, deu conta de que a polícia (!?) do Haiti foi afastada das investigações. Não houve explicação oficial sobre o porquê dessa providência, aliás, compreensível se pensarmos que a ONU lá está porque a Polícia haitiana é péssima.

N.B. Estranha que imediatamente após a notícia da morte, os peritos da ONU tenham examinado o local do acontecido. Se, de fato, os peritos acorreram imediatamente, é de perguntar os motivos que levaram o Secretariado Geral da ONU a ter peritos legistas em permanência em Porto Príncipe. Se não estiveram imediatamente no local, mas horas depois (ou no dia seguinte), o local do acontecido ficou entregue aos cuidados de quem? Depois, que peritos eram esses que logo estabeleceram que o general brasileiro se havia suicidado?

3. O governo brasileiro, aturdido como não poderia deixar de estar, cuidou de enviar rapidamente peritos para a capital do Haiti. Lá chegados, evitaram fazer declarações formais sobre o ocorrido, mas transpirou que concordavam com a opinião dos peritos da ONU de que de fato tinha ocorrido suicídio.

N.B. Quando os brasileiros lá chegaram, o corpo não mais estava no lugar em que havia sido encontrado. O cadáver, seguramente, deveria ou estar sendo conservado em câmaras frias (será que este requinte existe em Porto Príncipe?) ou ter sido limpo e embalsamado com os recursos possíveis no local.

4. Curiosamente (evidentemente para quem tem curiosidade), com aproximação próxima de 90% entre uma versão e outra, difundiu-se, horas depois de conhecida a notícia da morte, uma versão que explicava os motivos pelos quais o general cometera suicídio: era um homem deprimido. Houve inclusive, segundo publicado, um seu colega de turma que relatava que o general era homem que pensava em suicídio. O informante dizia que, quando tenente, o general já dava sinais de depressão, tanto assim que numa ocasião havia chegado a dizer que não sabia o que estava fazendo ali (não se sabe se na primeira unidade em que servira depois da formatura, ou se já na Brigada de Pára-quedistas). Na mesma notícia, mas em colocação subordinada, outro companheiro dizia que ele era um homem tranqüilo.


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