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Etologia de Phantera Onca em cativeiro com propostas de enriquecimento ambiental (página 2)

Nayara Ariane de Souza

Na segunda fase utilizou-se fezes de zebra híbrida e de lobo guará. De acordo com o Gráfico 1, o seu período de descanço comparando-se com o antes e depois, teve-se uma queda e o ato de farejar e forragear foi praticado pelo animal, sendo que antes não havia esse tipo de comportamento, mostrando o efeito dos enriquecimentos (Figura 3).

A terceira fase foi para a estimulação do faro e promover a locomoção do animal através de rastros de sangue feitos no recinto e escondendo o alimento em lugares diferentes, sendo isso fora da rotina do animal, pois o alimento era servido sempre no mesmo lugar. Com isso de acordo com o Gráfico 2, comparando-se entre as fases o ato de descansar foi maior nessa fase, não por causa da locomoção mais sim devido as atividades como subir e descer do alicerce de madeira para procurar pelo alimento.

A última etapa analisada foi a resposta do enriquecimento, afim de saber se as atividades que foram sugeridas obtiveram resposta positiva. Com o uso da erva de gato teve-se melhor aproveitamento pelo animal, indicando maior porcentagem na redução de estresse, seguido do uso de sangue e por último as fezes.

Discussão

Na primeira etapa, caracterizada sem enriquecimento o pacing foi a atividade mais desenvolvida, por não terem função aparente e associando isso ao fato de não serem apresentados por animais de vida livre eles são considerados comportamentos anormais, sendo tentativas do animal de controlar seu ambiente, mas como seus atos falham, ele começa a organizar ou reduzir o número de comportamentos em seqüências que se tornam rígidas, rápidas, repetitivas e guiadas internamente (Fundação Parque Zoológico de São Paulo).

Na etapa com enriquecimento o primeiro item utilizado foi a erva de gato que é da família das hortelãs, o seu cheiro estimula o instinto predador do animal e afeta quase todos os felinos, inclusive leões, pumas e onças e é inofensiva para eles. Os felinos mordem, mastigam, esfregam ou rolam sobre a erva e fazem isso para libertar a essência das folhas, a substância química dessa erva é a nepetalactone, que age como um feromônio, atraindo, relaxando ou estimulando a maioria dos felinos (HowStuffWorks, 2007).

O segundo item utilizado foi fezes de zebra híbrida e de lobo guará, por ser excelente caçadora e nadadora costuma abater capivaras, veados, catetos, pacas, bezerros e até peixes, podendo também caçar macacos e aves, e o uso dessas fezes como enriquecimento foi devido à estimulação da atividade de caça e de locomoção para esse animal, visto que não praticava nenhum tipo de exercício.

O terceiro e último item foi rastros de sangue feitos por todo o recinto, de acordo com Celotti 1990, o rastro de sangue estimula a exploração e a atividade e acrescenta um grau de incerteza no animal pois nem sempre a carne esta no final da trilha.

Através da análise estatística, como mostra a Tabela II, o Teste de Tukey mostrou um valor considerado significativo na etapa antes do enriquecimento, mostrando então índice elevado de comportamento esteriotipado.

Em relação as outras etapas (erva, fezes e sangue) os valores encontrados foram considerados valores normais dentro do Teste, mostrando que os comportamentos estão dentro dos valores ideais a nível de estresse.

CONCLUSAO

Grande parte das pesquisas desenvolvidas em zoológicos, visa o estudo do comportamento e problemas destes animais cativos, este estudo mostrou que a Panthera onca não exercia atividades de acordo com a sua espécie, mostrando comportamentos esteriotipados e que após submetida à enriquecimento teve índice de queda desses comportamentos.

Tendo a erva de gato como melhor resultado, onde proporcionou maior locomoção, farejou e forrageou mais que os outros enriquecimentos, seguido da utilização das fezes e depois do sangue.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Boere, V. Environmental enrichement for neotropical primates in captivity. Cienc. Rural . 3. Santa Maria: may/june 2001.

Celotti, S. Guia para o Enriquecimento das Condições Ambientais doCativeiro. Federação de Universidade para o bem estar dos animais (U.F.A.W)Inglaterra - Sociedade Zoófila Educativa (SOZED) Brasil, 1990.

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Costa, M. J. R. P. & A. A. Pinto. Princípios de Etologia aplicados ao Bem-estar Animal, p.211-223. In: Del-Claro, K, F. Prezoto. (Orgs.). As distintas faces do comportamento animal. Sociedade Brasileira de Etologia e Livraria e Editora Conceito. Jundiaí. SP, 2003.

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Swank, W. G. & Teer, J. G. Status of the jaguar-1987. Oryx 23:14-21,1989.

Tabela I: Etograma das atividades

Estímulo

Descrição

Locomoção

Animal deslocando de um lugar para o outro

Descanço

Parado, sentado ou deitado

Farejar

Cheirar

Forragear

Mexer, cavar

Esturro

Roncos muito fortes

Pacing

Passeios repetidos de um lado para o outro

Tabela II: Valores estatísticos ( Teste de Tukey p<0,05)

Etapas

Valor de P

Antes

0,0548s

Erva

>0,10

Fezes

>0,10

Sangue

>0,10

s: Considerado valor significativo

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Figura 1: Tronco com fezes e com erva de gato (Nepeta cataria)

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Figura 2: Animal farejando, forragendo e se esfregando com o uso da erva de gato

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Figura 3: Animal farejando e forrageando as fezes

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Gráfico 1: Comparação entre antes do enriquecimento e depois.

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Gráfico 2: Comparação entre as fases de enriquecimento

 

 

Autores:

Nayara Arianne Souza

zzoona[arroba]hotmail.com

Universidade Estadual de Goiás, Departamento de Pós-Graduação, Morrinhos-Goiás,Brasil

Daniella Silva Costa

dscosta_bio[arroba]hotmail.com

Universidade Católica de Goiás, Departamento de Biologia Goiânia-Goiás,Brasil

Inácio Soares Campos Júnior

inaciojunior1[arroba]hotmail.com

Parque Zoológico de Goiânia, Departamento de Veterinária, Goiânia-Goiás,Brasil



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