Guerreiro Ramos: uma sociologia em mangas de camisa

Enviado por Edison Bariani


  1. Resumo
  2. Introdução
  3. Uma civilização «errante»
  4. A sociologia em mangas de camisa
  5. Arregaçar as mangas
  6. Usar os punhos
  7. Batalhas da intelligentzia (quem são os amigos do povo?)
  8. A que herança renunciamos
  9. Referências

Uma flor nasceu na rua!

Passem de longe, bondes, ônibus,

rio de aço do tráfego,

Uma flor ainda desbotada

Ilude a polícia, rompe o asfalto.

Façam completo silêncio,

paralisem os negócios,

Garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.

Suas pétalas não se abrem.

Seu nome não está nos livros.

É feia. Mas é realmente uma flor.

(...) É feia. Mas é uma flor.

Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

Carlos Drummond de Andrade

Resumo

As reflexões de Guerreiro Ramos sobre a sociologia no Brasil promovem uma dura crítica da importação de idéias e o elitismo dos intelectuais, retomando algumas de suas proposições, é possível rever a trajetória do pensamento social brasileiro, suas contradições e dificuldades em assumir a herança de que dispõe.

Palavras-chave: Guerreiro Ramos. Sociologia. Intelligentzia. Crítica. Herança cultural.

Abstract

Guerreiro Ramos" reflections on sociology in Brazil promote hard criticism about importation of ideas and elitism of intellectuals, regaining some of his propositions, it"s possible to review the trajectory of Brazilian social thinking, its contradictions and difficulties to accept the available heritage. Keywords: Guerreiro Ramos. Sociology. Intelligentzia. Criticism. Cultural heritage.

Introdução

O pensamento social no Brasil - e a sociologia em particular - sofre o tormento de uma contradição dilacerante: somos construtores de um edifício inabitado. Enquanto reúne esforços e insumos para elaborar uma explicação da sociedade brasileira e de suas transformações, não nos reconhecemos como edificadores desta obra; a cada lance produzido recomeçamos de outro modo, mormente sob plantas e planos arquitetados distantes, de fora, que vêm a suplantar o esforço dos anteriores sem o realizar, justapondose aos antigos andares numa reelaboração contínua e desconexa, que sucede sem integrar, que encerra sem definir, que sintetiza sem superar. Não bastasse, mendigamos abrigo a tradições e teorizações alheias e, recusados, ficamos ao relento, ao pé de um edifício abandonado: a herança que construímos. A obra de Guerreiro Ramos é uma das contribuições no sentido de trazer à consciência os dilemas do pensamento social no Brasil e propiciar subsídios na tentativa de superar essa situação.

Uma civilização «errante»

A formação social brasileira é fruto da transplantação - e suas conseqüências – de uma forma de civilização que, tendo sido criada na Europa, enfrentou as contingências de estabelecer-se nos trópicos (Prado Junior, 2000). As desventuras e desacertos da colonização portuguesa impuseram-se como nossa história, alicerçaram nosso mundo, legando-nos características que se esvaeceram com o tempo; submetidas à dinâmica própria que aqui se desencadeou, tal base refez-se, originando novas modalidades de sociabilidade a partir da preservação/superação daquelas características (Holanda, 1995).

Ao ganhar densidade e movimento, ocorreu uma complexificação dessa estrutura social, trazendo à baila novas situações e sujeitos; que por sua vez, dotados de determinada consciência a respeito de sua vivência social e interesses, formularam interpretações de mundo, explicações e projetos. Entretanto, persiste a sombra do estrangeiro, o colonialismo e o imperialismo moldaram circunstâncias e formas de consciência, subordinaram o desenvolvimento da sociedade brasileira aos desígnios do capitalismo mundial e as mentalidades aos ditames da cultura européia e/ou norte-americana, com o consentimento tácito ou explícito das classes dominantes locais. Os recusados nessa partilha, os despossuídos e oprimidos, o povo, foi não somente alijado das virtualidades (positivas) do desenvolvimento capitalista (Fernandes, 1987), mas também teve negado o estatuto de sujeito - político e cultural (Ianni, 1985).

A sociologia em mangas de camisa


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