Espaço de Representação da Igreja Católica Apostólica Ortodoxa Antioquina: Um Estudo da Territorialidade Religiosa Imigrante

Enviado por Fausto GIL FILHO


  1. Resumo
  2. Introdução
  3. Características da abordagem
  4. Contextualização da igreja católica ortodoxa antioquina
  5. Estruturas da territorialidade ortodoxa
  6. A territorialidade ortodoxa antioquina no brasil
  7. Considerações finais

RESUMO

O presente ensaio trata da análise do espaço de representação da Igreja Católica Apostólica Ortodoxa Antioquina a partir da territorialidade cristã ortodoxa de origem árabe e como faceta de uma cultura imigrante no Brasil. Na perspectiva da diversidade imigrante emerge a dinâmica religiosa aliada à perpetuação da religião ancestral como símbolo da permanência cultural e capital simbólico. No contexto recente das duas últimas décadas do século XX o impacto do pluralismo religioso se faz sentir nas relações multiculturais com a espacialidade islâmica e católica romana. Partimos do pressuposto de que a identidade cultural árabe é uma construção histórica e social espacialmente reconhecível através das estruturas da territorialidade religiosa. A identidade é um processo de construção social baseada em atributos culturais possuindo uma dimensão individual e outra coletiva. A religião é uma um aspecto associado a uma rede de estruturação espacial a partir da identidade cultural do imigrante onde a Igreja Católica Ortodoxa Antioquina compõe um espaço de representação dessa cultura. A cultura religiosa imigrante é de especial importância no que tange à estruturação espacial. Este sistema se realiza nas práticas religiosas constituindo uma identidade específica percebida enquanto formas simbólicas articuladas a estruturas da espacialidade. Em contrapartida, reconhecemos que na medida em que a sociedade estrutura e reestrutura o espaço a variável característica cultural e religiosa transformase em uma dialética de assimilação e preservação. Construímos uma interpretação do fenômeno religioso a partir de caminhos epistemológicos específicos nas ciências humanas e em especial na Geografia da Religião. Deste modo, o limiar do estudo das estruturas religiosas como formas simbólicas se apresenta como um desafio de análise. Nosso aporte teórico inspira-se em Ernst Cassirer e parte do pressuposto que o homem é mais que um ser cultural, ele é simbólico. Desse modo, o homem produz símbolos e estes o caracterizam como superação da vida biológica. Há, assim, uma ruptura da ordem natural criada pelo homem e ao qual ele deve se submeter. Esse processo concientiza o homem de que ele não somente vive no universo físico, mas sobretudo em um universo simbólico. Desse modo, a religião é parte deste universo pleno de significados que faz parte indissociável da experiência humana. Sendo assim, o homem não está mais diante da realidade física per si; à medida que sua prática simbólica avança, ele busca em si mesmo os significados do mundo. Os templos nas cidades são a imagem desta prática simbólica mediada pelo sagrado em estruturas religiosas. O sagrado, considerado como atributo distintivo do fenômeno religioso, passa a ser entendido ontologicamente como representação. Sendo assim, o sagrado éa identificação das formas religiosas. As formas religiosas são formas simbólicas espaciais vivenciadas e semantizadas no cotidiano. As religiões são reonhecidas como sentidos específicos das manifestações do sagrado cuja permanência se realiza em estruturas específicas. Há a construção de esquemas rituais, reflexões teológicas das igrejas imigrantes que visam ataviar a realidade atual aos fragmentos dos eventos ancestrais em práticas rituais originais.

Palavras-chave: Igreja Ortodoxa Antioquina, territorialidade ortodoxa, espaço de representação, Geografia da Religião, Igreja Oriental

INTRODUÇAO

Nos anos de 2002 a 2006 participamos de um grupo de pesquisa internacional sobre a imigração árabe no mundo. Os levantamentos feitos pela nossa equipe de pesquisa sobre essa questão no Paraná teve o foco na dimensão religiosa como estruturantes das territorialidades imigrantes em especial dos muçulmanos e dos cristãos ortodoxos de origem árabe. Ficou patente que muito embora o Islamismo e o Cristianismo sejam religiões essencialmente universais as formas de como as instituições religiosas, tanto islâmicas como católicas ortodoxas, demonstram suas práticas revelam uma representação cultural específica de caráter imigrante.

Interessou-nos aprofundar a pesquisa das formas religiosas próprias da Igreja Católica Ortodoxa Antioquina e como estas formas simbólicas fornecem uma semântica do espaço de representação dessa instituição religiosa no Brasil.

A Igreja Católica Ortodoxa Antioquina, cuja sede do patriarcado fora transferida da Antaquia[1](antiga Antioquia) para Damasco capital da Síria no ano de 1342, tinha em seu clero lideranças de origem cultural eminentemente grega. De 1724 a 1893 os patriarcas da Igreja eram gregos, somente em 1899 assumiu novamente uma representação árabe dando início a uma reorganização da Igreja com a eleição de bispos árabes. Essa caraterística de uma Igreja cuja comunidade é notoriamente árabe acompanha a diáspora do seu povo nas Américas e estabelece uma territorialidade imigrante no continente.


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