Auto-reflexividade na ficção Pós-Moderna: O papagaio de Flaubert de Julian Barnes

3026 palavras 13 páginas
Auto-reflexividade na ficção Pós-Moderna: O papagaio de Flaubert de Julian Barnes

Resumo: No romance O papagaio de Flaubert o autor inglês Julian Barnes apresenta por meio da estrutura interna da obra questionamentos a respeito da representação e apreensão do passado. Esses procedimentos podem ser observados de acordo com a teorização apresentada por Elisabeth Wesseling em suas reflexões acerca do romance pós-moderno. Neste sentido, o presente artigo objetiva-se a propor uma análise do romance à luz da auto-reflexividade, teoria apresentada por Wesseling.

Palavras-chave: auto-reflexividade, ficção, realidade, Julian Barnes.

“ Os livros não são a vida, por mais que pudéssemos preferir que fossem [...]”
(BARNES, 1988,
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Tais considerações nos remetem também ao questionamento da possibilidade dessa apreensão e neste caso explicitado que mesmo no discurso histórico ele se dá por meio de significações e ressignificações e que, portanto, não é neutro.
A crítica literária ao que define Compagnon (2010, p.107) passa à preocupação não mais em questionar como a literatura “copia” o real, mas em como ela nos faz pensar que o faz e quais seriam esses dispositivos, o que justifica as concepções apresentadas desde os formalistas, estruturalistas e a crítica pós-estruturalista. Opondo-se, portanto, a uma concepção referencial da ficção literária, uma vez que para eles “a referência não tem realidade e o que se chama de real não é senão um código” (COMPAGNON, 2010, p.108) e com os estudos de Barthes sobre a intertextualidade, os outros textos é que tomam o lugar de referência1. E como conclui Gobbi (2004) em seu trabalho, todas essas concepções teóricas antecipam e fundamentam as reflexões dos teóricos da pós-modernidade, e podemos neste caso acrescentar também os romancistas. A ficção de Julian Barnes nos remete a todas essas questões, uma vez que o autor promove a ficcionalização da história de vida do escritor Gustave Flaubert e ao mesmo tempo promove questionamentos sobre a possibilidade ou ainda a impossibilidade da apreensão do passado por outro meio senão pela ficcionalização.

O papagaio de Flaubert: uma narrativa

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