CULTURAS ESCOLARES, CULTURAS DE INFÂNCIA E CULTURAS FAMILIARES: AS SOCIALIZAÇÕES E A ESCOLARIZAÇÃO NO ENTRETECER DESTAS CULTURAS

9577 palavras 39 páginas
Maria Carmen Silveira Barbosa

CULTURAS ESCOLARES,
CULTURAS DE INFÂNCIA E CULTURAS FAMILIARES:
AS SOCIALIZAÇÕES E A ESCOLARIZAÇÃO
NO ENTRETECER DESTAS CULTURAS
MARIA CARMEN SILVEIRA BARBOSA*
RESUMO: Este artigo visa estabelecer a articulação entre os impasses na escolarização das crianças e as contribuições acerca das culturas de infâncias, das culturas familiares, das culturas escolares na atualidade. Propomos verificar as novas dimensões de ser criança e viver a infância neste momento histórico e repensar a socialização escolar a partir do entrecruzamento das culturas escolares, consideradas legítimas, e suas relações com algumas culturas familiares e infantis consideradas, até hoje, ilegítimas pela escola. Conhecer as
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Nos últimos anos, estamos vivendo uma situação onde fica evidente que esta promessa, como havia sido formulada, não se cumpriu.
Agora, as perguntas aos pesquisadores, educadores e formuladores de
1060

Educ. Soc., Campinas, vol. 28, n. 100 - Especial, p. 1059-1083, out. 2007
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Maria Carmen Silveira Barbosa

políticas educacionais centram-se na discussão sobre a “qualidade da educação e do ensino” que se está oferecendo nas instituições educativas.
O questionamento inicia com perguntas como: Será possível realizar a promessa republicana? Como oferecer qualidade na educação para todos em uma sociedade com imensas desigualdades sociais? Como desmontar esta situação perversamente paradoxal de “oferecer educação sem proporcioná-la”?
Desde o inicio da modernidade, e até hoje, grande parte da população aprendeu a ler e a escrever não por vontade própria, mas por ter sido obrigada a se alfabetizar, afinal, aprender a ler e a escrever, além de ter sido apontado como uma necessidade para o ingresso no mundo do trabalho, tomou também o lugar de salvação, redenção pessoal e social.
O analfabetismo apenas tornou-se um problema com a industrialização e a urbanização. A escolarização obrigatória, como afirma Enzensberger
(1995, p. 48),
(...) nunca tratou de abrir um caminho para a “cultura escrita” e muito menos de libertar as pessoas para que falassem por si mesmas. O que

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